Impactos da Inovação e Tecnologia no Gerenciamento de Litígios

 

Por Flávia Regina Alves

O avanço tecnológico já deixou de ser um diferencial para se tornar uma exigência no ambiente empresarial. No setor jurídico, especialmente na gestão de litígios, esse movimento é ainda mais evidente.

Tanto é assim que a inteligência artificial, jurimetria, Business Intelligence (BI) e outras soluções tecnológicas vêm impactando diretamente como as empresas conduzem suas estratégias de contencioso. Hoje, falar em eficiência, redução de riscos e otimização de recursos passa necessariamente pela incorporação de tecnologia e inovação na rotina jurídica corporativa, especialmente para empresas com alta exposição a litígios.

Nesse novo cenário, a forma de gerenciar os processos judiciais alterou de forma significativa, pois se tornou inviável gerir uma carteira de processos como antigamente, sendo indispensável a aquisição de ferramentas baseadas em automação e inteligência artificial para uma gestão eficiente, já que com elas é possível organizar, classificar e alimentar bases de dados com informações atualizadas, garantindo mais agilidade e segurança na tomada de decisões jurídicas, além de reduzir o risco de falhas humanas.

Uma das aplicações mais evidentes da tecnologia no contencioso é a automação de tarefas operacionais por meio da utilização de softwares jurídicos que possibilitam a leitura automatizada de publicações, geração de peças padronizadas, controle de prazos e acompanhamento de andamentos processuais em tempo real.

Assim, há um aumento da produtividade e, consequentemente, a liberação do time jurídico para pensar estrategicamente, inclusive sobre forma de se prevenir novos passivos.

A análise preditiva de dados também se destaca como uma aliada poderosa no atual gerenciamento de litígios. Com base em dados históricos e comportamentais, a inteligência artificial consegue prever a probabilidades de êxito de processos judiciais, identificar o perfil de julgadores e sugerir o momento mais adequado para propor acordos ou seguir com determinada tese jurídica.

Já com o uso de jurimetria é possível, por exemplo, prever padrões jurídicos por meio da análise de dados, e, assim, entender quais estratégias processuais trazem melhores resultados. Esses dados subsidiam relatórios gerenciais e auxiliam diretores jurídicos a apresentar indicadores concretos à alta gestão.

Além disso, o cruzamento de dados jurídicos com informações internas da empresa permite identificar gargalos operacionais que geram demandas recorrentes.

Assim, a utilização das atuais tecnologias é capaz de agregar valor ao setor jurídico de uma empresa, transformando-o de um centro de custos para um núcleo estratégico de decisões, com impacto direto no resultado financeiro da companhia.

Um exemplo prático: ao perceber que a grande maioria das ações têm origem em uma determinada cláusula de um contrato, pois os tribunais não têm dado a interpretação desejada, é possível agir preventivamente, com a revisão dos modelos utilizados e reduzindo o passivo futuro. A tecnologia, nesse caso, possibilita que o setor jurídico deixe de ser reativo e passe a atuar na prevenção de litígios.

O uso inteligente da tecnologia também está diretamente ligado à redução de custos. Automatizar a gestão de processos e implementar sistemas de triagem de riscos acaba evitando despesas com honorários, especialmente em casos em que seria mais adequado a realização de acordos até mesmo extrajudiciais, diante de alta probabilidade de perda.

Fato é que em um mercado cada vez mais competitivo, empresas que otimizam seu contencioso conseguem direcionar recursos para áreas estratégicas do negócio e ganham fôlego para crescer de forma mais sustentável.

No entanto, é preciso ter atenção aos riscos e desafios que envolvem a implementação de tecnologia, em especial da inteligência artificial, pois é necessário cuidado com a proteção de dados sensíveis.

Outro ponto importante é que a tecnologia por si só não resolve os problemas jurídicos. Ela precisa estar integrada a uma equipe capacitada, com visão estratégica e capacidade analítica. Assim, não basta adquirir diversas ferramentas tecnológicas e de inovação sem que elas efetivamente sejam utilizadas e sejam integradas à realidade do negócio.

No Brasil, a transformação digital do Judiciário também influenciou diretamente os departamentos jurídicos empresariais. Com a implantação de sistemas como o PJe, Esaj, Eproc, dentre outros, a digitalização de processos e a adoção de ferramentas de inteligência artificial pelos tribunais, as empresas passaram a ter mais acesso à informação, mas também mais responsabilidade em acompanhar a velocidade das mudanças.

Veja que a utilização da tecnologia possibilita uma atuação mais estratégica dos advogados, além de acelerar os processos no meio jurídico, já que é capaz de assumir tarefas operacionais do contencioso e reduzir de forma considerável o tempo gasto nelas.

Assim, as atividades operacionais podem ser resolvidas de forma eficiente e prática, trazendo o impacto no contencioso, pois traz aos profissionais mais tempo para atuar em demandas estratégicas, que agregam mais resultados aos negócios.

Portanto, o impacto da tecnologia e da inovação no contencioso empresarial é profundo, positivo e irreversível. Ela proporciona mais eficiência operacional, segurança jurídica e clareza na gestão de riscos. Logo, as empresas que contratam escritórios externos para gerir os seus litígios, precisam se atentar ao escolher escritórios de advocacia que também investem em tecnologia e inovação, além de estarem atualizados com o mercado digital, já que investir em tecnologia é investir na saúde financeira e institucional da empresa.

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